29 de diciembre de 2014

Carta Abierta de BDS Brasil a Fundación Teatro a Mil (FITAM)

Nós companheiros do BDS Brasil apoiamos a nossos companheiros do BDS Chile em seus protestos contra a presença da Companhia de Dança Batsheva e juntos concentramo-nos contra os crimes de um Estado ao serviço do qual Batsheva dança pela "rejeição da realidade" - isto é, a realidade da ocupação, o apartheid e a privação dos direitos dos palestinos-. Neste contexto, é particularmente pérfido que "Decadência" se aproprie da tradição musical árabe.



Rio de Janeiro, dezembro de 2014.

Estimados e Estimadas,

A apresentação de vosso grupo com a peça Patronato 999 metros tem sido anunciada no Festival de teatro Santiago a Mil que acontecerá em janeiro de 2015em Santiago de Chile, onde também outros artistas e grupos internacionais vão participar, incluindo a Companhia de Dança de Israel Batsheva com a peça "Decadência".

Para OhadNaharin (coreógrafo & diretor artístico de Batsheva) dança é, por um lado, “uma forma de ilusão, um momento único que permite sair da realidade”. Mas, por outro lado, tem dito: “Para mim (a dança) é uma forma de visualizar o mundo em que vivo”. Talvez esta inconsistência não seja um acidente. Olhar o mundo no qual vive OhadNaharin realmente nos sugere buscar refúgio em ilusões.

A Companhia de Dança Batsheva, entre outras, é financiada pelo Ministério de Cultura de Israel e, o que pode parecer surpreendente, também pelo Ministério de Relações Exteriores desse país. Ademais, essa companhia participa na iniciativa Marca Israel (Brand Israel) do Estado israelense. O objetivo desta iniciativa, lançada em 2005, é melhorar a imagem de Israel internacionalmente. Tenta-se conseguir isto com apresentações internacionais de artistas e grupos como Batsheva. Esta campanha é uma resposta do governo israelense ante o aumento dos protestos por todo mundo, contra a imensa quantidade de violações em massa de direitos humanos e o não cumprimento das leis internacionais por Israel (cujo ponto mais dramático recentemente têm sido os massacres cometidos contra a sitiada população civil de Gaza no inverno passado). Através de uma suposta “cultura” apolítica, tentam gerar a percepção na gente de que Israel é um país normalmente democrático, em quanto milhões de pessoas no mundo já somos conscientes de que não é verdade.

O escritor israelense Yitzhak Laor descreveu em 2008 em um artigo no jornal israelense Haaretz como funciona isso. Os artistas israelenses cujas atuações no exterior são financiadas pelo Estado, são instados a assinar um contrato onde são referidos, significativamente, como “provedores de serviço”. Através disso, se comprometem ante o Ministério a promover "os interesses políticos do Estado de Israel através da cultura e a arte", o qual inclui a projeção de "uma imagem positiva de Israel".

AryeMekel,Secretário de Cultura do Ministério de Relações Exteriores de Israel, anunciou em 2009: “Enviaremos novelistas e escritores famosos ao exterior, bem como companhias de teatro e exposições. Desta forma, mostraremos uma cara mais linda de Israel, para que o mundo não pense em nós somente no contexto da guerra” Nessa época, Israel acabava de bombardear Gaza com fósforo branco e outras armas proibidas internacionalmente e resistia ferozmente a ser pesquisada por uma comissão da ONU por crimes de guerra.

A Companhia de Dança Batsheva, não obstante, presta-se a ser uma embaixadora do Estado israelense e por tal encontrou-se com manifestações populares em massa na contramão de sua presença durante seu tour pela Inglaterra e outros países. Em cada atuação no Festival Internacional de Edinburgo e em todos os outros pontos da Inglaterra onde atuou, a companhia se encontrou com protestos e manifestações fora e dentro dos teatros baixo o sloganNão dances ao compasso do Apartheid Israelense. Assim ocorreu também em Roma e Turim.

Nós companheiros do BDS Brasil apoiamos a nossos companheiros do BDS Chile em seus protestos contra a presença da Companhia de Dança Batsheva e juntos concentramo-nos contra os crimes de um Estado ao serviço do qual Batsheva dança pela "rejeição da realidade" - isto é, a realidade da ocupação, o apartheid e a privação dos direitos dos palestinos-. Neste contexto, é particularmente pérfido que "Decadência" se aproprie da tradição musical árabe.

Com certeza, nós do movimento BDS internacional distinguimos entre um estado e seus cidadãos e sabemos que há artistas, intelectuais e ativistas israelenses que também advogam pelos direitos dos palestinos, com quem estamos ligados.

A liberdade da arte, de opinião e de imprensa é algo valioso. Representa a proteção de toda expressão, inclusive da estupidez. Mas a liberdade está também associada à responsabilidade. A esse respeito, supomos que vocês não veem vosso trabalho em um contexto desligado do mundo nem no vazio.

Portanto, escrevemos-lhes, para lhes pedir reconsiderar vossa atuação em Santiago de Chile, onde estarão em companhia duvidosa do grupo Batsheva, e que sigam o chamado dos intelectuais e artistas palestinos a somar ao boicote das instituições culturais e acadêmicas israelenses.

Encontrarão mais informação aqui:


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